sábado, novembro 28, 2020
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Cerrado garante sobrevivência de quilombolas também na pandemia

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O Cerrado, bioma que celebra hoje (11) a sua data nacional e que ocupa um quarto do território brasileiro, leva água a oito das 12 bacias hidrográficas do país, inclusiva a Amazônica e a do São Francisco. Além disso, ele é fundamental para a sobrevivência de povos tradicionais espalhados por diversas regiões, inclusive nas chapadas. Em Goiás, na Chapada dos Veadeiros, essa relação quase que umbilical foi intensificada com uma espécie de retorno às origens, quando a exploração de atrativos turísticos perdeu importância para a agricultura familiar de subsistência, impactando principalmente na rotina dos mais jovens. 

Cachoeira de Santa Bárbara

Descendentes de escravos, os quilombolas conhecidos como Kalunga são donos de alguns dos atrativos mais desejados por viajantes de todo o Brasil. Certificados pela Fundação Cultural Palmares, eles ocupam um vasto território delimitado pelo Incra que se estende entre vãos de serras e afluentes pelos municípios goianos de Cavalcante, Teresina e Monte Alegre, próximos à divida com o oeste baiano. Mas foi em Cavalcante, privilegiada pelas centenas de cachoeiras, muitas ainda desconhecidas, que o boom turístico aconteceu, embora na cidade ainda se respire em meio a uma paz e tranquilidade que não se encontram mais na vizinha Alto Paraíso de Goiás, a mais badalada da Chapada dos Veadeiros. 

Os primeiros visitantes começaram a chegar na comunidade Kalunga do Engenho II, a 27 quilômetros do centro do município, na década de 1990, ainda de forma tímida. Foi quando uma parcela dos quilombolas começou a perceber que poderia se organizar para explorar o ecoturismo, sobretudo o potencial da cachoeira de Santa Bárbara, a mais famosa da chapada por conta do poço de água azul cristalina, fenômeno visual causado pela presença do mineral calcita, o fundo de areia pura e o reflexo da luz solar.