segunda-feira, setembro 21, 2020
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Turismo em Pirenópolis e na Chapada: aglomeração e invasão de comunidade quilombola

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 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

As cidades turísticas de Goiás, vizinhas a Brasília, ficaram lotadas durante o feriado prolongado de Independência. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontou intensa movimentação em todas as saída do Distrito Federal na manhã de sábado e domingo.

Estradas que dão acesso às cachoeiras na Chapada dos Veadeiros, e atrativos turísticos no município de Pirenópolis (GO) ficaram cheios, tumultuados e provocaram reclamação de moradores locais. As prefeituras intensificaram a fiscalização e as barreiras sanitárias, mas o desrespeito de muitos visitantes foi nítido em muitas situações. O turismo consciente passou longe e nas redes sociais criou-se o termo “EGOturismo” para definir o comportamento dos visitantes.

No quilombo Kalunga, que fica no município de Cavalcante (GO), mesmo com as porteiras fechadas e as faixas informativas sobre a suspensão das atividades, visitantes se tornaram invasores ao descumprir as ordens do dono do espaço e entrar sem autorização.

O território de 262 mil hectares foi fechado antes de um decreto municipal, conforme conta a moradora da comunidade Dalila Reis Martins, conhecida como Dalila Kalunga. O local é muito visitado por gente do mundo inteiro, pois nele está uma das mais famosas cachoeiras da América Latina, a Santa Bárbara. Todo trabalho com os visitantes é feito pela comunidade, que conta com cerca de 3.650 pessoas.

A guia Dalila Kalunga disse ao Correio que mesmo com a divulgação sobre o fechamento, visitantes insistem em ir até o local, mas, em geral, desistem ao serem abordados. No domingo, duas pessoas apareceram no quilombo e disseram procurar alguém da comunidade, mas desviaram o caminho e foram para a cachoeira Capivara. A polícia foi chamada, mas os moradores encontraram os visitantes antes. Os pneus do carro onde eles estavam foram furados e houve bate boca entre os moradores do local e os turistas.

Os homens assinaram um termo circunstanciado e devem ser ouvidos pela Justiça na quinta-feira. Eles podem ser presos por um mês a um ano, por infringir a legislação sanitária. “Nós precisamos dos visitantes e pesquisadores para manter nossa história. Esperamos que esta pandemia cesse. Até lá, pedimos que respeitem a nossa quarentena. Não temos nada contra visitação, mas, no momento, estamos em isolamento”, declarou Dalila.

Aglomeração em Pirenópolis

Aglomeração em Pirenópolis

Em Pirenópolis, a 150 quilômetros de Brasília, também houve intensa movimentação nas ruas e cachoeiras. Mas, muita gente não conseguiu visitar nenhum atrativo turístico. Os locais estão funcionando com capacidade reduzida, para evitar aglomeração e a propagação do novo coronavírus.

Antes do feriado, e desde que a cidade reabriu para o turismo, a prefeitura vem destacando a importância de fazer reservas para garantir atendimento, mas na prática, não foi o que se verificou. Sem hospedagem, muita gente se aglomerou nas ruas e praças. Pelo menos 12 pessoas foram multadas em R$ 1 mil, por aglomeração, e outras três em R$ 100 por não usar máscara.A secretária de Saúde do município, Luciana Rodrigues, disse ao Correio que a fiscalização está sendo intensificada. Na cidade, durante o feriado, nenhum estabelecimento notificado, pois todos estão cumprindo a legislação sanitária. Já nas cachoeiras, dois atrativos foram notificados por causa da aglomeração e um restaurante multado em 10 salários-mínimos. “Eles estavam dentro da capacidade, mas não estavam mantendo o protocolos. Não estavam mantendo distanciamento e os clientes não estavam usando máscaras”, explicou a titular da pasta.

A secretária destacou que a reserva é essencial para garantir o atendimento e não tumultuar as ruas da cidade. Além disso, a prefeitura fará um balanço e estudará novas estratégias para garantir a segurança da população da cidade.